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14.6.11

"Qual é o nome da rosa?"


"Uma biblioteca é testemunha da verdade e do erro"
Fonte: Библиотека lib.ololo.cc

Proponho assistir o filme O Nome da Rosa, buscando (a partir de uma ótica da gestão do conhecimento), fazer uma "leitura" das estratégias e táticas utilizadas para a segurança da informação, assim como os simbolismos e artefatos da linguagem e suas conotações. Tomemos como exemplo o próprio título da obra "O nome da rosa": o que ele representa? A "resposta" está no posfácio de Umberto Eco: "A rosa subsiste seu nome, apenas; mesmo que não esteja presente e nem sequer exista". Interprete esta frase e socialize.

O nome da rosa para mim é o conhecimento, o poder que tem a palavra. E assim, mesmo que não exista um livro, uma biblioteca, pois no final do filme ela acaba sendo incendiada, sempre teremos uma forma de compartilhar a informação.
Aluna Cleide – Turma 41 Pós-Gestão Pública

13.6.11

Eu, documento!

Na montagem, Bell (à esq.) e Gemmell manipulam
imagens expostas num cenário virtual. Fonte: Veja.

Através desta disciplina tenho colocado muitas pessoas diantes da importância dos documentos. É um fato que o nascimento, a vida e a morte, até acontecem, mas só são, digamos "atestados" por meio dos documentos.

Da certidão de nascimento à de óbito, passando pelo "registro da identidade" e existindo no cadastro da pessoa física, nossa vida pode ser escrita através de um conjunto de informações documentárias.

Em relação às nossas competências, não basta frequentar às aulas, é preciso certificarmo-nos; a palavra dita, como a declaração de nossas intenções, também já não basta: é preciso "averbar".

Assim, ao reunirmos os documentos que nos constituem, estamos recuperando a nossa memória. Da mesma forma, ao quantificarmos estes documentos, devemos atribuir uma medida para esta nossa memória dispersa em textos, imagens e sons e, também, para a nossa memória natural - aquela à qual recorremos quando, por exemplo, queremos trazer à mente um fato ou alguém e simplesmente "matar a saudade".

A edição 2139 da Revista Veja, datada de 18 de novembro de 2009, trouxe uma entrevista intitulada "Eternamente Digital", na qual os cientistas Gordon Bell e Jim Gemmell falam de Total Recall (2009) - um livro onde relatam a experiência de registrar dez anos de suas vidas e armazenar o conteúdo no disco rígido de um computador.

Destaco dois trechos da entrevista à repórter Lia Luz: no primeiro Bell diz que "com a digitalização total, saberemos exatamente quanto tempo passamos com nossos filhos, quanto comemos e se realmente fomos grosseiros em uma conversa. Teremos uma visão mais clara das nossas ações"; no outro, Gemmell acredita que "vamos ingressar numa vida em que muitos dos nossos passos poderão estar sendo gravados. Pensar nisso pode despertar o melhor do nosso comportamento. Novos tipos de relacionamento também podem surgir desse fato. Haverá aqueles a quem você permitirá gravar momentos de sua vida e aqueles em quem não confiará. Talvez fazer promessas gravadas se torne um novo marco das relações pessoais".

Para os cientistas, "a memória biológica é subjetiva, tingida pela emoção e filtrada pelo ego. A digital, por outro lado, é objetiva, prosaica".

Diante disto, busco novas
repostas para estas significativas questões trazidas pela colega Lia e que agora fazem parte de nossas inquietações: "Por que a memória total transformará a forma como pensamos nossa vida? (...) estamos prontos para lidar com um tipo de memória tão diferente da natural?"

25.5.11

O efeito borboleta do Wikileaks

Wiki é uma palavra utilizada pelos havaianos e que se relaciona aquilo o que é rápido, ligeiro, imediato - no sentido do tempo necessário para uma determinada ação. Por aqui a palavra wiki está ligada a uma maneira de construir conhecimento coletivo. O melhor exemplo é a Wikipedia que pode ser "traduzida" como uma enciclopédia online construída colaborativamente e a partir do conhecimento coletivo. É assim que ela aparece na internet, certo?

Recentemente tivemos contato com outro "Wiki", o Wikileaks. Se utilizarmos o mesmo princípio, esta palavra ganharia o significado de "vazamento construído com o conhecimento coletivo". E é!

A aula sobre informação, foi oportuna para para trazer a questão do Wikileaks e seu efeito borboleta. É indispensável um conhecimento científico dentro do qual a informação foi esmiuçada. É importante conhecer estes conceitos, pois não há como ampliar nossa visão do mundo sem eles.

O texto Wikileaks o que é? E o que diz sobre o Brasil? - nos serviu de fonte (origem da informação). Nele, "lucasrocksp"(2010) conta que se o Wikileaks é uma organização transnacional sediada na Suécia, fundada por dissidentes chineses, jornalistas, matemáticos e tecnólogos dos Estados Unidos, Taiwan, Europa, Austrália e África do Sul e dirigida pelo (hacker) Julian Assange, jornalista e ciberativista.

Vimos que o projeto WikiLeaks foi mantido em segredo até Janeiro de 2007, mas que depois de vir a público recebeu vários prêmios para novas mídias, incluindo o New Media Award da revista The Economist; e em 2010, foi referido como o número 1 entre os “websites que poderiam mudar completamente o formato atual das notícias”.

Isto porque ao mesmo tempo em que dissemina um sem número de cópias de documentos sigilosos reveladores de práticas abusivas, crimes contra os Direitos Humanos, alfinetadas e outros comentários indevidos de altos escalões, protege a integridade de suas fontes como poucos veículos o fazem.

Além disto, a organização- cujas únicas fontes de rendimento são doações de centenas de milhares de dólares, feitas (acredite!) por empresas jornalísticas e de informação, como a Associated Press, o Los Angeles Times e a National Newspaper Publishers Association - planeja criar um modelo de leilão, onde será vendido o acesso privilegiado a documentos confidenciais.

O efeito borboleta

Este é um cenário rico para um debate idem. Trouxemos a questão da desinformação - termo (do russo desinformátsia) utilizado pelo Comando do Movimento Comunista Internacional (Comintern) para designar o uso sistemático de informações falsas para desestabilizar outros regimes políticos.

O objetivo estratégico da desinformação é tornar as instituições descrentes, induzindo a opinião pública a transferir aos agentes da desinformação a confiança que deveria ser depositada no Estado, nas leis e nos costumes tradicionais - um processo bem conhecido e apontado em livros a exemplo de o Tratado de Desinformação, de Vladimir Volkoff.

Olavo de Carvalho, pensador brasileiro, em seu artigo Censura e desinformação fala sobre o atual jornalismo brasileiro e sua notável característica da troca progressiva da informação pela desinformação sistemática.

Sistemática e sintomática! Como exercício propus que, resguardadas as proporções, lembrássemos de fatos típicos da desinformação. Logo veio à memória, o caso dos salários expostos na web em 16/6/2009 pela Prefeitura de São Paulo através do site "De olho nas contas".

Na ocasião, Cláudio Fonseca, presidente do Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo - o Sinpeem, diante da lista que mostrava um professor do ensino médio ganhando R$ 142 mil, disse: - "nenhum educador recebe essa quantia", alegando que os valores publicados eram irreais.

O impacto desta (des)informação - multiplicada como um gremlin molhado - foi devastador e apresentava um sério risco à integridade daqueles servidores públicos. Dezenas de outras situações casuísticas esquentaram o debate e troxeram macrotemas como a fragilidade dos sistemas informacionais, a responsabilidade informacional e, sobretudo, a conduta ética.

Diante de tamanha inquietação, eu proponho aqui um exercício reflexivo no qual o princípio hologramático (MORIN) seja aplicado à informação, para que possamos entender como o Wikileacks faz circular o efeito sobre a causa e possamos medir o quanto fazemos parte disto.

Minha proposta é que procuremos identificar atributos para a gestão da qualidade da informação, a fim de dizer de que forma os aspectos dimensionais da informação aparecem no caso Wikileacks positiva e negativamente.

Sordi, apud Bittencourt (2007) afirma que mesmo as informações derivadas de "achismos" e palpites organizacionais impregnados de subjetivismo, imprecisão, conflito, ignorância parcial, entre outros problemas, podem receber tratamento que as tornem mais acuradas.

Levantada a questão da ética, estes dilemas morais que surgem quando analisamos o "howto" ou as práticas do Wikileacks de "entregar" uma conversa furtada cujo conteúdo uma vez revelado pode gerar conflitos nas interações humanas, são da competência da Ética da Informação - a mesma ética que assegura o direito de o indivíduo "não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão”, como no artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Então deixo uma provocação: nesta "Era de Vidro", onde tudo é sensível e perde a opacidade, onde em cada esquina há um "Grande Irmão" de prontidão, registrando todo movimento ou sinal, o que é (ou deixa de ser) ético? Vale receptar uma informação ainda que a justificativa esteja na possibilidade de se evitar um mal maior? É ético deixar em seu lugar seguro uma informação que pode mudar o mundo, simplesmente porque não é da nossa conta? A ética estaria no ato de informar, na literacia ou na intenção do uso?

Reagir à esta provocação é expressar livremente a sua opinião.

"Conhecimento é experiência. O resto é informação."

Já no nosso primeiríssimo encontro vimos aquilo o que distingue dado de informação, informação de conhecimento, de competência e de aprendizagem. Quando eu digo que "encontrei a fonte"(foi o exemplo que escolhi), a palavra"fonte", isoladamente, é interpretada de uma maneira diferente por cada um que a recebe.

Mas isto não é suficiente para reduzir a incerteza do grupo diante de tantos significados. Fonte: s.f. Água viva que sai da terra; nascente: fonte de água mineral. Chafariz, bica. Chaga aberta com cautério. Fig. Princípio, origem, causa: a eleição é fonte do poder. O texto original de uma obra. Cada um dos lados da cabeça que formam a região temporal. Fonte limpa, a causa primária de um fato, a sua verdadeira origem; autoridade competente: sei isso de fonte limpa.

Assim, se a razão de ser da informação é reduzir as incertezas, enquanto não ficar claro para todos do que estou falando, "fonte", não passará de um dado. Assim, eu digo que "encontrei a fonte Bauhaus que tanto procurava para instalar e aplicar em um texto". "Fonte", faz parte da taxonomia popular do jornalismo, ou seja, é uma palavra que classifica a letra ou tipo utilizado na composição gráfica de um texto.

A partir do momento que este dado passa a fazer sentido para meus ouvintes, pois foi devidamente contextualizado, aí então se configura a informação. Já o conhecimento, a despeito dos infinitos conceitos e descrições que lhe são atribuídos científica e empiricamente, ele acontece para cada um de nós, é único. Aquilo o que eu sei me pertence, mas pode ser partilhado. "Conhecimento é experiência, o resto é informação." - dizia Einstein.

De fato está aí a diferença: qualquer pessoa pode fazer o download do documento de texto com, por exemplo, a fórmula da Coca-Cola na internet. Mas isto não garante que se possa recriá-la. Para isto é preciso uma competência essencial. Conhecimento se dá quando você transforma a informação (saber) em fazer. A competência é um "cha" (conhecimento + habilidade + atitude).

Já a aprendizagem, ela acontece quando aquele conhecimento é internalizado e passa a fazer parte (na-tu-ral-men-te) de nossos afazeres diários. A gestão do conhecimento é, portanto, uma maneira de a organização se autoconhecer, saber onde estão os dados, informações, conhecimentos e competências nela dispersos e como pode aprender, ensinar e inovar com isto.

Nesta disciplina surge a oportunidade de contribuirmos efetivamente na constituição de uma Cultura da Informação na Organização Pública. Para tanto, vamos nos informar para formar; conhecer não somente sobre a informação em si e o bem (capital intelectual) que ela representa, mas como podemos lidar com ela e realizar a partir dela.

DICA: para uma melhor apreensão do conhecimento, procure comentar os conteúdos postados; e/ou comentar com colegas, ou (pelo menos) fazer apontamentos em seu caderno.