Mostrando postagens com marcador documento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador documento. Mostrar todas as postagens

13.6.11

Eu, documento!

Na montagem, Bell (à esq.) e Gemmell manipulam
imagens expostas num cenário virtual. Fonte: Veja.

Através desta disciplina tenho colocado muitas pessoas diantes da importância dos documentos. É um fato que o nascimento, a vida e a morte, até acontecem, mas só são, digamos "atestados" por meio dos documentos.

Da certidão de nascimento à de óbito, passando pelo "registro da identidade" e existindo no cadastro da pessoa física, nossa vida pode ser escrita através de um conjunto de informações documentárias.

Em relação às nossas competências, não basta frequentar às aulas, é preciso certificarmo-nos; a palavra dita, como a declaração de nossas intenções, também já não basta: é preciso "averbar".

Assim, ao reunirmos os documentos que nos constituem, estamos recuperando a nossa memória. Da mesma forma, ao quantificarmos estes documentos, devemos atribuir uma medida para esta nossa memória dispersa em textos, imagens e sons e, também, para a nossa memória natural - aquela à qual recorremos quando, por exemplo, queremos trazer à mente um fato ou alguém e simplesmente "matar a saudade".

A edição 2139 da Revista Veja, datada de 18 de novembro de 2009, trouxe uma entrevista intitulada "Eternamente Digital", na qual os cientistas Gordon Bell e Jim Gemmell falam de Total Recall (2009) - um livro onde relatam a experiência de registrar dez anos de suas vidas e armazenar o conteúdo no disco rígido de um computador.

Destaco dois trechos da entrevista à repórter Lia Luz: no primeiro Bell diz que "com a digitalização total, saberemos exatamente quanto tempo passamos com nossos filhos, quanto comemos e se realmente fomos grosseiros em uma conversa. Teremos uma visão mais clara das nossas ações"; no outro, Gemmell acredita que "vamos ingressar numa vida em que muitos dos nossos passos poderão estar sendo gravados. Pensar nisso pode despertar o melhor do nosso comportamento. Novos tipos de relacionamento também podem surgir desse fato. Haverá aqueles a quem você permitirá gravar momentos de sua vida e aqueles em quem não confiará. Talvez fazer promessas gravadas se torne um novo marco das relações pessoais".

Para os cientistas, "a memória biológica é subjetiva, tingida pela emoção e filtrada pelo ego. A digital, por outro lado, é objetiva, prosaica".

Diante disto, busco novas
repostas para estas significativas questões trazidas pela colega Lia e que agora fazem parte de nossas inquietações: "Por que a memória total transformará a forma como pensamos nossa vida? (...) estamos prontos para lidar com um tipo de memória tão diferente da natural?"